{"id":2346,"date":"2015-06-30T14:07:50","date_gmt":"2015-06-30T14:07:50","guid":{"rendered":"http:\/\/tonyelumelufoundation.org\/?post_type=article&amp;p=2346"},"modified":"2015-06-30T14:07:50","modified_gmt":"2015-06-30T14:07:50","slug":"repensando-o-capitalismo-perspectiva-africapitalista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.tonyelumelufoundation.org\/pt\/articles\/rethinking-capitalism-africapitalist-perspective","title":{"rendered":"Repensando o capitalismo: a perspectiva africapitalista"},"content":{"rendered":"<p>Por\u00a0<strong style=\"font-weight: bold !important;\">Tony O. Elumelu, CON<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na sexta-feira passada, tive orgulho de ser orador durante a segunda Confer\u00eancia anual sobre Capitalismo Inclusivo, em Londres, liderada pela vision\u00e1ria e irreprim\u00edvel Lady Lynn de Rothschild. Ao preparar as minhas observa\u00e7\u00f5es para um painel realizado durante a confer\u00eancia, lutei com o facto de que o capitalismo que \u00e9 deliberadamente \u201cinclusivo\u201d n\u00e3o \u00e9 natural. Na realidade, a pr\u00f3pria ideia representa uma mudan\u00e7a fundamental na forma como um sistema capitalista funciona tradicionalmente.<\/p>\n<p>Desde tempos imemoriais, as leis naturais da oferta e da procura, dos mercados e da concorr\u00eancia determinam que haja vencedores e perdedores, porque, independentemente do sector, da geografia, da tecnologia ou do capital, nada pode permanecer est\u00e1tico.<\/p>\n<p>Schumpeter caracterizou este fen\u00f3meno como \u201cdestrui\u00e7\u00e3o criativa\u201d \u2013 a no\u00e7\u00e3o de que um processo, produto ou servi\u00e7o novo e superior acabar\u00e1 por significar o desaparecimento completo da maneira antiga ou habitual de fazer algo. Nunca foi um processo indolor, mas necess\u00e1rio, ou ainda estar\u00edamos usando telefones rotativos e m\u00e1quinas de escrever.<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria est\u00e1 repleta de exemplos de empresas outrora dominantes que criaram ind\u00fastrias inteiras com base na sua capacidade de inovar e de serem mais competitivas do que os seus pares, mas que acabaram por ser ultrapassadas por outras que aprenderam a faz\u00ea-lo melhor e mais rapidamente.<\/p>\n<p>O que mudou, em grande parte devido a esta caracter\u00edstica fundamental do capitalismo de melhorar continuamente ou morrer, foi a pr\u00f3pria natureza do mundo em que vivemos agora.<\/p>\n<p>O s\u00e9culo XXI ser\u00e1 definido por uma mudan\u00e7a monumental na vida de praticamente todas as pessoas neste planeta \u2013 a nossa capacidade de comunicar e partilhar informa\u00e7\u00f5es com qualquer pessoa, em qualquer lugar, a qualquer hora, a um custo muito baixo. Esta nova capacidade levou \u00e0 nossa exist\u00eancia agora globalizada.<\/p>\n<p>No nosso mundo hiperinterconectado, criamos, talvez de forma n\u00e3o intencional, mas irrevers\u00edvel, um sistema de interdepend\u00eancia sem precedentes. As cadeias de abastecimento globais tornaram-se verdadeiramente globais, alimentadas pelo impulso irreprim\u00edvel de aumentar a competitividade<\/p>\n<p>num mercado cada vez mais competitivo. Moderar voluntariamente a capacidade de defender vigorosamente e aumentar a sua posi\u00e7\u00e3o competitiva \u00e9, em \u00faltima an\u00e1lise, render-se a um novato que n\u00e3o limitar\u00e1 intencionalmente a sua capacidade.<\/p>\n<p>Portanto, o objectivo de criar um sistema capitalista que seja \u201cinclusivo\u201d \u00e9 mudar a pr\u00f3pria natureza do pr\u00f3prio capitalismo. Devemos recalibrar a no\u00e7\u00e3o de competi\u00e7\u00e3o em que o vencedor leva tudo, que invariavelmente cria \u201cperdedores\u201d. Este tipo de mudan\u00e7a fundamental baseia-se na necessidade de injetar e inculcar um conjunto de valores na corrente sangu\u00ednea do capitalismo \u2013 valores que v\u00e3o al\u00e9m do objetivo atual, singular e m\u00edope de maximizar o lucro, que \u00e9 o \u00fanico princ\u00edpio partilhado por todas as empresas t\u00edpicas do mundo tradicional. sistema capitalista.<\/p>\n<p>Para conseguir isso, precisamos de nada menos que um esfor\u00e7o que tenha ades\u00e3o universal; um amplo consenso de que a) as regras do jogo devem mudar; e que b) todos devem seguir as mesmas regras para que funcione. Caso contr\u00e1rio, a empresa \u201ciluminada\u201d que se esfor\u00e7a por promover uma maior inclus\u00e3o poder\u00e1, no seu esfor\u00e7o para se governar com base num conjunto mais amplo de valores, colocar-se em desvantagem competitiva relativamente aos seus pares que n\u00e3o adotam esses valores mais amplos em favor do lucro. maximiza\u00e7\u00e3o e \u00e0 custa da \u201cinclus\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Em \u00c1frica, esta abordagem ao capitalismo orientada por valores \u00e9 chamada de \u201cAfricapitalismo\u201d, que se baseia na premissa de que um sistema liderado pelo sector privado e governado por pol\u00edticas p\u00fablicas que facilitam os neg\u00f3cios pode resultar num crescimento econ\u00f3mico e num desenvolvimento social mais elevados e mais inclusivos. . O Africapitalismo n\u00e3o s\u00f3 apela a que o sector privado tenha um papel muito mais formid\u00e1vel no continente, mas tamb\u00e9m defende um sector privado que esteja enraizado num compromisso com o valor partilhado que conduz \u00e0 prosperidade partilhada.<\/p>\n<p>O professor da Harvard Business School, Michael Porter, que tamb\u00e9m \u00e9 patrono fundador da Funda\u00e7\u00e3o Tony Elumelu, foi pioneiro no conceito de empresas que criam valor partilhado, o que significa que as atividades do setor privado podem e devem gerar retornos financeiros substanciais para a empresa e os seus acionistas, mas que isto pode ser alcan\u00e7ado de uma forma que tamb\u00e9m crie valor para um grupo mais amplo de partes interessadas.<\/p>\n<p>A l\u00f3gica do \u201cvalor partilhado\u201d ganhou for\u00e7a e, como tal, quando o actual Presidente do Banco Mundial, Jim Kim, assumiu o seu cargo em 2012 e posteriormente reorientou a estrat\u00e9gia do banco, construiu a sua abordagem em torno do objectivo de promover a \u201cprosperidade partilhada\u201d. Para o Presidente Kim, isto significa que, pela primeira vez na sua hist\u00f3ria, o banco se esfor\u00e7ar\u00e1 n\u00e3o apenas para reduzir e, eventualmente, eliminar a pobreza, mas tamb\u00e9m ter\u00e1 como objectivo abordar a \u201cdesigualdade global\u201d.<\/p>\n<p>Acredito em ambos os conceitos, principalmente porque refletem os meus pr\u00f3prios valores e filosofia empresarial, mas tamb\u00e9m pela praticidade do que defendem, apesar de ainda serem considerados por muitos como n\u00e3o convencionais. Com o aumento da desigualdade nas economias desenvolvidas e em desenvolvimento, o capitalismo est\u00e1 no caminho da insustentabilidade, na melhor das hip\u00f3teses, e da agita\u00e7\u00e3o social e do caos, na pior, tornando a mudan\u00e7a sist\u00e9mica imperativa para a sobreviv\u00eancia do sistema.<\/p>\n<p>O verdadeiro desafio \u00e0 aceita\u00e7\u00e3o mais ampla desta abordagem ao capitalismo n\u00e3o \u00e9 a l\u00f3gica por detr\u00e1s dela, mas a resist\u00eancia motivada pelo interesse pr\u00f3prio entre aqueles investidos no sistema actual que temem ser os \u00fanicos a dar o primeiro e solit\u00e1rio passo. Nenhuma empresa ou governo pode esperar mudar o nosso sistema capitalista por conta pr\u00f3pria. Da mesma forma, a transi\u00e7\u00e3o para um sistema enraizado num conjunto mais amplo de valores como o \u201cCapitalismo Inclusivo\u201d e o \u201cAfricapitalismo\u201d tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel sem acordo entre sectores. As empresas e o governo, por exemplo, devem trabalhar em conjunto para criar um ambiente prop\u00edcio que liberte oportunidades e promova o crescimento.<\/p>\n<p>Para afectar o tipo de mudan\u00e7a da qual todos esperamos fazer parte \u00e9 necess\u00e1rio um \u201cprop\u00f3sito partilhado\u201d. Isto implica n\u00e3o apenas uma aceita\u00e7\u00e3o da l\u00f3gica e do m\u00e9rito geral do Capitalismo Inclusivo e do Africapitalismo, mas tamb\u00e9m uma inten\u00e7\u00e3o igualmente importante de agir, e agir na letra e no esp\u00edrito da colabora\u00e7\u00e3o leg\u00edtima em oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 competi\u00e7\u00e3o desenfreada.<\/p>\n<p>Fiquei impressionado com a experi\u00eancia, a influ\u00eancia e o sucesso incompar\u00e1veis dos meus pares que participaram na Confer\u00eancia sobre Capitalismo Inclusivo. Todos n\u00f3s fomos aben\u00e7oados. Mas a coroa \u00e9 pesada e, no nosso sucesso comum, partilhamos um fardo de responsabilidade que se estende muito al\u00e9m dos nossos parentes, do nosso pa\u00eds e dos nossos acionistas. Reunimo-nos para explorar os limites do sistema do qual todos beneficiamos, mas estamos inquietos com<\/p>\n<p>o conhecimento de que outros \u2013 muitos \u2013 n\u00e3o tiveram a mesma sorte. A quest\u00e3o candente que todos dever\u00edamos nos colocar, portanto, \u00e9: o que estamos preparados para fazer?<\/p>\n<p>Ap\u00f3s o encerramento da confer\u00eancia e \u00e0 medida que todos seguimos caminhos separados, quaisquer que sejam os pr\u00f3ximos passos dados pelos presentes, poder\u00e3o basear-se naquele tra\u00e7o demasiado humano de autopreserva\u00e7\u00e3o, quer aos olhos do nosso descontentamento vocal, quer face ao do nosso Deus, mas qualquer que seja a nossa respectiva motiva\u00e7\u00e3o, n\u00e3o devemos apenas aceitar a responsabilidade sobre os nossos ombros como uma consequ\u00eancia inevit\u00e1vel do sucesso, mas abra\u00e7\u00e1-la como uma oportunidade de criar riqueza n\u00e3o apenas para n\u00f3s, mas tamb\u00e9m para os outros. Este \u00e9 o prop\u00f3sito e a ess\u00eancia do Africapitalismo.<\/p>\n<p>O ingrediente essencial, portanto, na mistura do que precisa de mudar para que os valores incorporados no Capitalismo Inclusivo e no Africapitalismo influenciem a mudan\u00e7a em todo o sistema capitalista, \u00e9 a lideran\u00e7a. N\u00e3o precisamos de outro estudo, previs\u00e3o ou sess\u00e3o de estrat\u00e9gia para saber o que precisa ser feito. Nesta fase, tudo o que \u00e9 exigido de n\u00f3s, de cada um de n\u00f3s, \u00e9 a coragem de agir. Liderar.<\/p>\n<p>Aos olhos de alguns, talvez de muitos, a minha pr\u00f3pria hist\u00f3ria de sucesso \u00e9 imposs\u00edvel. Nascido numa fam\u00edlia amorosa na Nig\u00e9ria, embora de recursos modestos, fui dotado de um compromisso inquebrant\u00e1vel com a excel\u00eancia e de um desejo insaci\u00e1vel de sucesso. Adicione um pouco de sorte e uma grande por\u00e7\u00e3o de orienta\u00e7\u00e3o de mentores dedicados e minha hist\u00f3ria se tornar\u00e1 mais clara. Ao falar com tit\u00e3s das finan\u00e7as e da ind\u00fastria globais, e com Altezas Reais e Presidentes na confer\u00eancia, refleti sobre o que \u00e9 poss\u00edvel se juntos aceitarmos coletivamente o desafio de liderar.<\/p>\n<p>Nenhum de n\u00f3s sabe o que o amanh\u00e3 pode trazer. N\u00e3o sabemos o que o futuro nos reserva ou qual \u00e9 o nosso papel nele. Mas com a gra\u00e7a cont\u00ednua de Deus, todos os dias liderarei pelo exemplo e esfor\u00e7ar-me-ei por inspirar outros a assumirem a causa da constru\u00e7\u00e3o de uma sociedade mais igualit\u00e1ria e justa que beneficie a todos e n\u00e3o apenas a alguns. Tudo que pe\u00e7o \u00e9 que voc\u00ea se junte a mim e fa\u00e7a o mesmo. As verdadeiras recompensas ainda est\u00e3o por vir.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Este artigo foi publicado pela primeira vez no The Sunday Independent (\u00c1frica do Sul) em 28 de junho de 2015.<\/em><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Tony O. Elumelu, CON Na passada sexta-feira, tive o orgulho de ser orador na segunda Confer\u00eancia Anual sobre Capitalismo Inclusivo, em Londres, liderada pela vision\u00e1ria e irreprim\u00edvel Lady Lynn de Rothschild.  Enquanto preparava as minhas observa\u00e7\u00f5es para um painel realizado durante a confer\u00eancia, debati-me com o facto de o capitalismo que \u00e9 ...<\/p>","protected":false},"author":21,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"cybocfi_hide_featured_image":"","footnotes":""},"categories":[20],"tags":[],"class_list":["post-2346","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-articles"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.tonyelumelufoundation.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2346","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.tonyelumelufoundation.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.tonyelumelufoundation.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.tonyelumelufoundation.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/21"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.tonyelumelufoundation.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2346"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.tonyelumelufoundation.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2346\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.tonyelumelufoundation.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2346"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.tonyelumelufoundation.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2346"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.tonyelumelufoundation.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2346"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}