{"id":4364,"date":"2017-11-09T14:22:48","date_gmt":"2017-11-09T14:22:48","guid":{"rendered":"http:\/\/www.tonyelumelufoundation.org\/?p=4364"},"modified":"2025-07-02T14:14:26","modified_gmt":"2025-07-02T13:14:26","slug":"uma-nova-filosofia-economica-para-africa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.tonyelumelufoundation.org\/pt\/research-publications\/a-new-economic-philosophy-for-africa","title":{"rendered":"Uma Nova Filosofia Econ\u00f3mica para \u00c1frica"},"content":{"rendered":"<p><em>Por Kenneth Amaeshi<\/em><\/p>\n<div class=\"post-thumbnail\"><\/div>\n<header class=\"entry-header\"><\/header>\n<div class=\"entry-summary\">\n<p>First published business-school.ed.ac.uk<\/p>\n<p>O professor Kenneth Amaeshi escreve sobre por que \u00c1frica precisa de empreendedores com esp\u00edrito de sociedade, e n\u00e3o de projectos chamativos, e como a filosofia econ\u00f3mica do Africapitalismo pode guiar o caminho<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"entry-content\">\n<p>H\u00e1 um interesse crescente nos empreendedores como a solu\u00e7\u00e3o para os desafios globais contempor\u00e2neos \u2013 altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas, pobreza e doen\u00e7as. Esta vis\u00e3o dos empres\u00e1rios tamb\u00e9m est\u00e1 presente em \u00c1frica. Em 2011, v\u00e1rios livros e artigos proclamavam que \u00c1frica estava a emergir como um interveniente importante na economia mundial. Quatro anos mais tarde, o PIB per capita do continente aumentou significativamente, mas os ganhos foram em grande parte para as elites e os investidores estrangeiros. Grande parte do investimento recente em infra-estruturas, em vez de abrir novas vias de crescimento, apenas refor\u00e7a a depend\u00eancia de longa data de \u00c1frica na exporta\u00e7\u00e3o de recursos naturais. E como o\u00a0<a href=\"http:\/\/hdr.undp.org\/en\/2014-report\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Relat\u00f3rio de Desenvolvimento Humano de 2014 das Na\u00e7\u00f5es Unidas\u00a0<\/a>indica, a maioria dos africanos registou poucas melhorias e continua a viver em extrema pobreza.<\/p>\n<p>Contudo, fizemos progressos na compreens\u00e3o do que tem impedido \u00c1frica. Atrav\u00e9s\u00a0<a href=\"https:\/\/www.business-school.ed.ac.uk\/research-news\/2014\/09\/22\/africapitalism-african-business-leaders-and-africas-development\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">nosso estudo\u00a0<\/a>de l\u00edderes empresariais e empreendedores em \u00c1frica, identific\u00e1mos tr\u00eas classes principais de empreendedores (ou mentalidades empreendedoras) em \u00c1frica: o empreendedor sobrevivente, o empreendedor orientado para o sucesso e o empreendedor com mentalidade social.<\/p>\n<p>Os empres\u00e1rios sobreviventes na maioria dos pa\u00edses africanos s\u00e3o movidos principalmente por instintos de sobreviv\u00eancia para evitar amea\u00e7as e desafios (tais como pobreza, doen\u00e7as, desemprego e corrup\u00e7\u00e3o) orquestrados por institui\u00e7\u00f5es fracas, infra-estruturas deficientes, mercados subdesenvolvidos e m\u00e1 governa\u00e7\u00e3o. Esses empreendedores s\u00e3o frequentemente reativos, orientados para o curto prazo e indefesos. Eles medem a sua sobreviv\u00eancia diariamente, e o menor choque \u2013 como uma flutua\u00e7\u00e3o nas taxas de c\u00e2mbio, uma queda nos pre\u00e7os das mat\u00e9rias-primas ou uma mudan\u00e7a nas pol\u00edticas governamentais \u2013 pode despach\u00e1-los. Freq\u00fcentemente, s\u00e3o incapazes de pensar al\u00e9m de si mesmos e de suas necessidades. Culpam os outros e consideram-se v\u00edtimas de um sistema socioecon\u00f3mico falido.<\/p>\n<p>Por outro lado, os empreendedores orientados para o sucesso exploram criativamente as oportunidades criadas pelos chamados sistemas socioecon\u00f3micos falhados. Geralmente s\u00e3o inovadores e podem ter acesso a governos e recursos naturais. Eles exercem o poder e exploram o sistema para obter ganhos privados. Eles s\u00e3o os empreendedores por excel\u00eancia da literatura e das economias desenvolvidas que s\u00e3o movidos por interesses pr\u00f3prios e pela cria\u00e7\u00e3o de riqueza. Freq\u00fcentemente, eles est\u00e3o focados em seu sucesso. Na maioria das vezes, fazem o m\u00ednimo exigido por lei e s\u00e3o geralmente ambivalentes em rela\u00e7\u00e3o aos problemas e desafios sociais, que consideram (talvez com justi\u00e7a) como responsabilidades dos governos e das ONG.<\/p>\n<p>O terceiro tipo de empreendedor, orientado para a sociedade, n\u00e3o \u00e9 apenas orientado para o sucesso, mas tamb\u00e9m impactante e orientado para um prop\u00f3sito. Procuram abordar positivamente os males e desafios da sociedade atrav\u00e9s das suas empresas. Assim como os empreendedores movidos pelo sucesso, eles s\u00e3o inovadores e imaginativos. No entanto, ao contr\u00e1rio dos primeiros, s\u00e3o movidos por um interesse pr\u00f3prio esclarecido. Reconhecem os desafios e riscos sociais que os rodeiam, mas nunca s\u00e3o dissuadidos por eles. Em vez disso, eles os veem como oportunidades. A este respeito, pode-se argumentar que s\u00e3o optimistas e corajosos, porque conseguem ver oportunidades onde outros v\u00eaem riscos e frustra\u00e7\u00f5es. T\u00eam uma imagem positiva de si pr\u00f3prios e tentam ser a mudan\u00e7a que querem ver em \u00c1frica. Eles s\u00e3o pacientes e orientados para o longo prazo.<\/p>\n<p>Durante d\u00e9cadas, o Banco Mundial e outras institui\u00e7\u00f5es acreditaram que grandes investimentos em infra-estruturas impulsionariam a economia e impulsionariam o progresso. Agora sabemos que, embora os investimentos diretos sejam importantes, podem n\u00e3o ser t\u00e3o importantes como os empreendedores impactantes, orientados para um prop\u00f3sito e socialmente conscientes dos seus ambientes. Estes s\u00e3o os empreendedores de que \u00c1frica precisa neste momento, dado\u00a0<a href=\"https:\/\/hbr.org\/2012\/02\/africa-is-open-for-business\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">os desafios do empreendedorismo em \u00c1frica<\/a>. Infelizmente, n\u00e3o h\u00e1 muitos deles.<\/p>\n<p>Os africanos precisam n\u00e3o apenas dos alicerces estruturais do crescimento, mas tamb\u00e9m da motiva\u00e7\u00e3o para realizar o trabalho \u00e1rduo do empreendedorismo proposital. D\u00e9cadas de dom\u00ednio colonial, seguidas de governos paternalistas e de assist\u00eancia externa bem-intencionada, deixaram demasiados africanos \u00e0 espera passiva de que outros lhes proporcionassem o desenvolvimento ou se envolvessem num empreendedorismo de sobreviv\u00eancia e egoc\u00eantrico.<\/p>\n<p>E \u00c1frica n\u00e3o \u00e9 um caso t\u00e3o especial. Os ocidentais tendem a assumir que as pessoas procuram naturalmente o desenvolvimento econ\u00f3mico para escapar \u00e0 pobreza (o empreendedorismo sobrevivente resume isto ao dizer: \u201cA necessidade \u00e9 a m\u00e3e das inven\u00e7\u00f5es\u201d). Mas a press\u00e3o externa desempenha muitas vezes um papel no arranque destes esfor\u00e7os. Uma das raz\u00f5es pelas quais a industrializa\u00e7\u00e3o deslanchou primeiro na Europa Ocidental, por exemplo, foi porque havia uma competi\u00e7\u00e3o cont\u00ednua entre pa\u00edses relativamente pequenos pela preemin\u00eancia militar que s\u00f3 o desenvolvimento poderia financiar. Da mesma forma, o Jap\u00e3o s\u00f3 come\u00e7ou a investir agressivamente no com\u00e9rcio depois da chegada dos navios de guerra ocidentais com tecnologia avan\u00e7ada. As elites ansiosas por construir a na\u00e7\u00e3o eram mais propensas a permitir boas institui\u00e7\u00f5es comerciais do que os seus hom\u00f3logos em pa\u00edses mais complacentes.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 d\u00favida de que os empreendedores s\u00e3o fundamentais para o progresso social. Contudo, \u00c1frica deve desenvolver-se de acordo com no\u00e7\u00f5es de lugar e patrim\u00f3nio que s\u00e3o comuns a grande parte do continente, e precisa de empreendedores que possam relacionar-se com o\u00a0<a href=\"http:\/\/www.tandfonline.com\/doi\/pdf\/10.1080\/23322373.2015.1026229\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">princ\u00edpios do africapitalismo<\/a>\u2014uma nova filosofia econ\u00f3mica para \u00c1frica defendida pelo banqueiro e empres\u00e1rio nigeriano\u00a0<a href=\"http:\/\/www.economist.com\/news\/21631956-entrepreneurs-will-transform-africa-says-tony-elumelu-chairman-heirs-holdings-and\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Tony Elumelu<\/a>. Segundo Elumelu, o Africapitalismo \u201cdescreve o processo de transforma\u00e7\u00e3o do investimento privado em riqueza social\u201d. Os empreendedores precisam de bases culturais, bem como estruturais, para o crescimento. Quanto mais puderem assumir a responsabilidade intelectual e pr\u00e1tica do seu desenvolvimento, mais estar\u00e3o motivados para aceitar os riscos do empreendedorismo.<\/p>\n<p>Vivemos agora num mundo muito mais pac\u00edfico (apesar das manchetes), mas existem formas positivas de motivar os africanos a avan\u00e7ar. Importante para este esfor\u00e7o ser\u00e1 enquadrar o desenvolvimento socioecon\u00f3mico em termos que ressoem com as culturas e valores locais, incluindo um sentido de progresso e prosperidade, paridade e inclus\u00e3o, paz e harmonia, e lugar e pertencimento. Esses valores s\u00e3o fundamentais para\u00a0<a href=\"http:\/\/www.tandfonline.com\/doi\/pdf\/10.1080\/23322373.2015.1026229\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Africapitalismo<\/a>.<\/p>\n<p>Isto n\u00e3o quer dizer que os investidores ocidentais devam ficar longe de \u00c1frica ou que toda a filantropia deva ser local. \u00c1frica ainda precisa de capital e conhecimentos externos, e muitos deles. No entanto, saberemos que \u00c1frica est\u00e1 verdadeiramente a crescer, n\u00e3o quando chegarem projectos maiores e chamativos, mas quando houver um florescimento de uma multiplicidade de empreendedores e empresas impactantes. H\u00e1 abundante\u00a0<a href=\"http:\/\/onlinelibrary.wiley.com\/doi\/10.1002\/sej.34\/epdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">evid\u00eancia de pesquisa\u00a0<\/a>sugerindo que os empres\u00e1rios que perseguem interesses colectivos para criar riqueza econ\u00f3mica e social t\u00eam um melhor desempenho do que outros tipos de empres\u00e1rios. \u00c9 aqui que entra o Africapitalismo como uma nova filosofia econ\u00f3mica para \u00c1frica e \u00e9 por isso que \u00c1frica precisa de empreendedores conscientes da sociedade para enfrentar os seus muitos desafios socioecon\u00f3micos.<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Kenneth Amaeshi Publicado pela primeira vez em business-school.ed.ac.uk O Professor Kenneth Amaeshi escreve sobre a raz\u00e3o pela qual \u00c1frica precisa de empreendedores com esp\u00edrito de sociedade, e n\u00e3o de projectos vistosos, e como a filosofia econ\u00f3mica do Africapitalismo pode orientar o caminho H\u00e1 um interesse crescente nos empreendedores como a solu\u00e7\u00e3o para os desafios globais contempor\u00e2neos - altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas, pobreza e doen\u00e7a. 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