{"id":4376,"date":"2017-11-09T14:50:54","date_gmt":"2017-11-09T14:50:54","guid":{"rendered":"http:\/\/www.tonyelumelufoundation.org\/?p=4376"},"modified":"2018-11-16T14:11:34","modified_gmt":"2018-11-16T14:11:34","slug":"porque-e-que-africa-precisa-de-um-capitalismo-que-esteja-alinhado-com-as-suas-necessidades-de-desenvolvimento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.tonyelumelufoundation.org\/pt\/research-publications\/why-africa-needs-capitalism-that-is-aligned-with-its-development-needs","title":{"rendered":"Por que \u00c1frica precisa de um capitalismo alinhado com as suas necessidades de desenvolvimento"},"content":{"rendered":"<p>Publicado originalmente <a href=\"https:\/\/theconversation.com\/why-africa-needs-capitalism-that-is-aligned-with-its-development-needs-48776\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"text-decoration: underline;\"><strong>aqui<\/strong><\/span><\/a><\/p>\n<p>Os africanos h\u00e1 muito que se envolvem em actividades capitalistas\u00a0<a href=\"http:\/\/journals.cambridge.org\/action\/displayAbstract?fromPage=online&amp;aid=3239252&amp;fileId=S0021853700027584\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">transa\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas<\/a>. Mas o tipo de capitalismo introduzido pelos colonialistas nem sempre esteve alinhado com as necessidades dos africanos. Continua excessivamente informado e orientado por agendas definidas fora do continente.<\/p>\n<p>Estas agendas v\u00eaem \u00c1frica principalmente como um mercado para a explora\u00e7\u00e3o e est\u00e3o obcecadas pelos lucros que adv\u00eam de tais explora\u00e7\u00f5es. Isto reflecte-se em alguns dos excessos das empresas multinacionais\u00a0<a href=\"http:\/\/www.bbc.com\/news\/world-africa-34405990\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">operando na \u00c1frica<\/a>. No processo, promovem uma medida de sucesso e desempenho empresarial baseada no individualismo e n\u00e3o em interesses colectivos.<\/p>\n<p>As multinacionais est\u00e3o frequentemente mais preocupadas com o seu sucesso e n\u00e3o necessariamente com o sucesso das sociedades em que operam. Isto \u00e9 t\u00edpico da maioria das multinacionais anglo-sax\u00f3nicas porque prov\u00eam de uma cultura que promove os interesses individuais em detrimento dos interesses do grupo.<\/p>\n<p>Existe uma solu\u00e7\u00e3o potencial. Isso \u00e9\u00a0<a href=\"http:\/\/www.tandfonline.com\/doi\/full\/10.1080\/23322373.2015.1026229#.ViDA5H4rK00\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Africapitalismo<\/a>. Esta \u00e9 uma filosofia econ\u00f3mica que incorpora o compromisso do sector privado com a transforma\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica de \u00c1frica atrav\u00e9s de investimentos que geram prosperidade econ\u00f3mica e riqueza social.<\/p>\n<p>O termo foi cunhado pelo banqueiro e empres\u00e1rio nigeriano\u00a0<a href=\"http:\/\/www.economist.com\/news\/21631956-entrepreneurs-will-transform-africa-says-tony-elumelu-chairman-heirs-holdings-and\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Tony Elumelu<\/a>. Ele discute:<\/p>\n<blockquote><p>\u201cO renascimento de \u00c1frica reside na conflu\u00eancia da ac\u00e7\u00e3o empresarial e pol\u00edtica correcta.\u201d<\/p><\/blockquote>\n<h2>Repensando o capitalismo em \u00c1frica<\/h2>\n<p>\u00c1frica sofre de uma\u00a0<a href=\"https:\/\/books.google.co.uk\/books?hl=en&amp;lr=&amp;id=VbMxhKsa05YC&amp;oi=fnd&amp;pg=PA1&amp;dq=%22Democracy+and+development%22+ake&amp;ots=LaaZfO6yEC&amp;sig=gF1-5ppiSVKluQunAO_dC1LSeCw#v=onepage&amp;q=%22Democracy%20and%20development%22%20ake&amp;f=false\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">crise do desenvolvimento<\/a>. Indiscutivelmente, isto pode ser atribu\u00eddo aos sistemas pol\u00edticos e econ\u00f3micos coloniais herdados, que ainda n\u00e3o foram devidamente domesticados no continente. Com base nos \u00edndices das economias pol\u00edticas ocidentais, por exemplo, a maior parte de \u00c1frica est\u00e1 prejudicada por institui\u00e7\u00f5es fracas, m\u00e1 governa\u00e7\u00e3o e sociedades civis em dificuldades.<\/p>\n<p>O fracasso do Estado ou do mercado em cumprir a promessa levou, nos \u00faltimos anos, a um apelo a uma melhor colabora\u00e7\u00e3o e parceria entre o Estado, as empresas e a sociedade civil. Isto \u00e9 necess\u00e1rio para enfrentar os desafios de desenvolvimento na regi\u00e3o.<\/p>\n<p>O estudo do capitalismo em \u00c1frica pressup\u00f5e frequentemente contextos e actores institucionais fortes. Isto inclui governos fortes, uma sociedade civil e regulamenta\u00e7\u00f5es e governa\u00e7\u00e3o eficazes ou eficientes, bem como um forte alinhamento cultural entre as sociedades africanas e os princ\u00edpios do capitalismo ocidental. Mas nem sempre \u00e9 esse o caso.<\/p>\n<p>Est\u00e1 em curso um estudo na Costa do Marfim, no Qu\u00e9nia, na Nig\u00e9ria e na \u00c1frica do Sul, numa parceria que envolve nove universidades. O seu objectivo \u00e9 repensar o capitalismo em \u00c1frica, centrando-se no papel dos l\u00edderes empresariais, investidores e empreendedores no desenvolvimento do continente.<\/p>\n<h2>Os valores defendidos pelo Africapitalismo<\/h2>\n<p>O africapitalismo ainda \u00e9 em grande parte uma ideia e um discurso. \u00c9 sustentado por quatro valores fundamentais:<\/p>\n<p><strong>1. Sensa\u00e7\u00e3o de progresso e prosperidade<\/strong>: N\u00e3o se trata apenas da aus\u00eancia de pobreza, mas da presen\u00e7a de condi\u00e7\u00f5es que tornam a vida mais gratificante. Estas incluem o acesso a educa\u00e7\u00e3o de qualidade, sa\u00fade, capital social e\u00a0<a href=\"http:\/\/onlinelibrary.wiley.com\/doi\/10.1111\/j.1467-8616.1994.tb00077.x\/abstract\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">institui\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas<\/a>.<\/p>\n<p>Isto \u00e9 extremamente importante para um continente repleto de condi\u00e7\u00f5es humanas extremamente negativas. O projecto Africapitalism est\u00e1 empenhado em resolver estes problemas atrav\u00e9s da promo\u00e7\u00e3o do empreendedorismo respons\u00e1vel e de um ambiente de neg\u00f3cios favor\u00e1vel.<\/p>\n<p><strong>2. Sentido de paridade e inclus\u00e3o<\/strong>: Os benef\u00edcios do progresso e da prosperidade devem ser partilhados de forma equitativa. \u00c9 muito f\u00e1cil que a acumula\u00e7\u00e3o de riqueza seja desequilibrada, como mostra o\u00a0<a href=\"http:\/\/www.theguardian.com\/global-development\/datablog\/2015\/jul\/31\/africa-wealth-report-2015-rich-get-richer-poverty-grows-and-inequality-deepens-new-world-wealth\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Relat\u00f3rio de riqueza de \u00c1frica de 2015<\/a>. O Africapitalismo reconhece que o crescimento precisa de ser inclusivo.<\/p>\n<p>Por outras palavras, visa promover uma forma de empreendedorismo que visa a cria\u00e7\u00e3o de riqueza financeira e social para todos os intervenientes. Isto inclui, mas n\u00e3o est\u00e1 limitado a, accionistas, como exemplificado \u201cradicalmente\u201d por uma empresa do agroneg\u00f3cio do Uganda,\u00a0<a href=\"http:\/\/goodafrican.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Bom Africano<\/a>. A empresa reinveste\u00a0<a href=\"http:\/\/goodafrican.com\/index.php\/our-story\/50-profits-shared.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">50% de seus lucros<\/a>\u00a0nos produtores e nas suas comunidades.<\/p>\n<p><strong>3. Sensa\u00e7\u00e3o de paz e harmonia<\/strong>: A busca simult\u00e2nea de lucro e riqueza social \u00e9 principalmente uma busca de equil\u00edbrio, harmonia e paz. Este \u00e9 o equil\u00edbrio entre a prosperidade econ\u00f3mica e a riqueza social.<\/p>\n<p>O Africapitalismo partilha valores semelhantes com o movimento de sustentabilidade. Isto pode ser\u00a0<a href=\"http:\/\/amr.aom.org\/content\/20\/4\/874.short\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">resumido como<\/a>:<\/p>\n<blockquote><p>\u201c\u2026um processo para alcan\u00e7ar o desenvolvimento humano\u2026de uma forma inclusiva, conectada, equitativa, prudente e segura\u201d.<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>4. Sentido de lugar e pertencimento<\/strong>: Dado que o Africapitalismo procura ir ao encontro de \u00c1frica onde o continente se encontra no seu caminho de desenvolvimento, \u00e9 sustentado por um valor firme e expl\u00edcito de sentido de lugar e pertencimento. Trata \u00c1frica principalmente como um lugar (e n\u00e3o necessariamente como um mercado) com significado e valor para as identidades das pessoas.<\/p>\n<h2>O potencial do Africapitalismo<\/h2>\n<p>Como ideia, o Africapitalismo \u00e9 uma articula\u00e7\u00e3o imaginativa de uma poss\u00edvel face do capitalismo em \u00c1frica. \u00c9 um discurso para galvanizar um movimento. Isso acabar\u00e1 por mudar a pr\u00e1tica do capitalismo em \u00c1frica.<\/p>\n<p>Posicionado como tal, torna-se uma aspira\u00e7\u00e3o para o renascimento de \u00c1frica. Ele desafia o\u00a0<em>status quo<\/em>\u00a0\u2013 capitalismo em \u00c1frica \u2013 que n\u00e3o transformou o continente.<\/p>\n<p>O problema aqui n\u00e3o \u00e9 necessariamente o esp\u00edrito do capitalismo como arauto da liberdade humana e da emancipa\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica. \u00c9 a forma herdada de capitalismo praticada em \u00c1frica, que est\u00e1 frequentemente em desacordo com o desenvolvimento socioecon\u00f3mico do continente. Este desalinhamento cria invariavelmente resultados desequilibrados, como o banditismo econ\u00f3mico, a corrup\u00e7\u00e3o, a desigualdade e a pobreza.<\/p>\n<h2>Como o Africapitalismo pode se tornar mainstream<\/h2>\n<p>Se aceitarmos o Africapitalismo como uma vis\u00e3o mundial, ent\u00e3o uma forma de torn\u00e1-lo dominante \u00e9 atrav\u00e9s da educa\u00e7\u00e3o. Os seus princ\u00edpios precisam de estar firmemente enraizados nos curr\u00edculos das escolas de neg\u00f3cios em \u00c1frica.<\/p>\n<p>Outra forma de melhorar a adop\u00e7\u00e3o do Africapitalismo \u00e9 atrav\u00e9s de incentivos e pol\u00edticas governamentais, tais como cr\u00e9ditos fiscais e concess\u00f5es. Existe tamb\u00e9m a possibilidade de utilizar a opini\u00e3o p\u00fablica e as press\u00f5es, como as classifica\u00e7\u00f5es sociais e os sistemas de recompensa, para incitar as empresas a adoptarem o africapitalismo como pr\u00e1tica padr\u00e3o.<\/p>\n<p>Acima de tudo, o caminho mais r\u00e1pido \u00e9 galvanizar \u201cuma gera\u00e7\u00e3o de empreendedores do sector privado que tenham a vis\u00e3o, as ferramentas e a oportunidade de moldar o\u00a0<a href=\"https:\/\/www.tonyelumelufoundation.org\/pt\/africapitalisminstitute\/africapitalismo\/\">destino do continente\u201d<\/a>. Isto \u00e9 exatamente o que\u00a0<a href=\"https:\/\/www.tonyelumelufoundation.org\/pt\/sobre-nos\/\">Programa de Empreendedorismo Tony Elumelu<\/a>\u00a0e a\u00a0<a href=\"http:\/\/www.tgais.com\/new-african-entrpreneurship-programme\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Programa de Empreendedorismo Africano<\/a>\u00a0- apoiado por\u00a0<a href=\"http:\/\/thedukeofyork.org\/about-the-duke\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">O Duque de York KG<\/a>, empreendedor\u00a0<a href=\"http:\/\/www.forbes.com\/profile\/aliko-dangote\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Aliko Dangote<\/a>, e ex-presidente nigeriano\u00a0<a href=\"http:\/\/www.britannica.com\/biography\/Olusegun-Obasanjo\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Olusegun Obasanjo<\/a>\u00a0- est\u00e3o fazendo.<\/p>\n<p>Esperemos que o africapitalismo acabe por conduzir a um novo regime econ\u00f3mico que reflectir\u00e1 verdadeiramente as necessidades de desenvolvimento de \u00c1frica. Mas, como ideia e discurso novos, ainda sofre o risco da novidade. Isso \u00e9 t\u00edpico de novas ideias e discursos. Como tal, corre o risco de falhar e n\u00e3o ser adoptado e implementado.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Originalmente publicado aqui Os africanos h\u00e1 muito que participam em transac\u00e7\u00f5es econ\u00f3micas capitalistas. Mas o tipo de capitalismo introduzido pelos colonialistas nem sempre esteve em sintonia com as necessidades dos africanos. Continua a ser excessivamente informado e orientado por agendas estabelecidas fora do continente. 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