O manual do sector privado para o capital humano em África
O dividendo demográfico de África, a sua população jovem e em rápido crescimento, é frequentemente citado como o seu maior trunfo; no entanto, esse potencial depara-se frequentemente com a realidade de uma absorção lenta da mão-de-obra, lacunas em termos de competências e sistemas de emprego frágeis.
Enquanto as medidas políticas tradicionais, como a construção de mais escolas e a importação de programas curriculares, têm produzido resultados limitados, a Fundação Tony Elumelu (TEF) adota uma abordagem baseada no «Africapitalismo» para dar resposta aos desafios do capital humano em África, distinguindo-se dos métodos políticos tradicionais. Desde o lançamento do Programa de Empreendedorismo da TEF, em 2015, a Fundação Tony Elumelu proporcionou a mais de 2,5 milhões de jovens africanos acesso a formações através da sua plataforma digital própria,TEFConnect, e concedeu mais de $100 milhões em financiamento direto a mais de 24 000 empreendedores, o que resultou na criação de até 1,5 milhões de postos de trabalho.
Este é um sistema paralelo de competências em ação: o empreendedorismo como formação em massa de capital humano.
O empreendedorismo como formação de capital humano.
Enquanto as políticas públicas costumam separar o “empreendedorismo” do “trabalho”, a TEF elimina essa fronteira. O nosso Programa de Empreendedorismo, o nosso principal projeto, encara o empreendedor não apenas como alguém que cria uma empresa, mas como um nó de competências, um multiplicador no mercado de trabalho.
O modelo é simples, mas radical: ensinar a um fundador noções de literacia financeira, análise de mercado, resiliência e adoção digital é, indiretamente, ensinar os seus colaboradores, fornecedores e até mesmo os seus clientes.
A nossa plataforma digital exclusiva, a TEFConnect, não se limita a disponibilizar módulos de formação; promove a aprendizagem entre pares, a orientação e o acesso a ferramentas que se estendem a toda a força de trabalho. O TEFConnect funciona tanto como um acelerador de competências como um indicador de mercado: não só dota os empreendedores de conhecimentos práticos, como também revela em tempo real quais as competências mais procuradas e desenvolve-as em grande escala.
O impacto macroeconómico da formação em empreendedorismo.
O que é que isto significa para os mercados de trabalho africanos? Destacam-se três mudanças:
- Da dependência salarial à criação de oportunidades
Em média, cada empreendedor ativo do programa Tony Elumelu cria, em média, 13 postos de trabalho, sendo que os colaboradores auferem um rendimento três vezes superior ao rendimento per capita nacional. Para além do número de postos de trabalho, estamos a redefinir o próprio conceito de “emprego”, combinando o trabalho formal e informal em percursos viáveis para a segurança do rendimento.
- Das lacunas curriculares à aprendizagem orientada para o mercado
Ao contrário de muitos sistemas de formação profissional, a formação da TEF é modular, digital e atualizada em sintonia com as mudanças do mercado. Com 80% de empreendedores a gerar receitas e a registar aumentos de 40% no volume de negócios, este modelo mantém as competências alinhadas com as curvas de procura reais, e não com programas curriculares desatualizados.
- Da escassez de capital humano à capacidade distribuída
A OCDE identificou uma “armadilha das capacidades” em África, caracterizada por instituições sobrecarregadas e ambições por concretizar. Em contrapartida, a Fundação Tony Elumelu (TEF) aborda esta questão capacitando empreendedores, descentralizando as capacidades e promovendo a resiliência; 76% de empreendedores do TEF integram-se em cadeias de valor mais amplas.
Implicações para os decisores políticos e as instituições.
Para os governos e os parceiros de desenvolvimento, a lição a retirar não é a de externalizar a educação ao setor privado, mas sim a de integrar a formação em empreendedorismo na estratégia de capital humano. Imagine se os ministérios do Trabalho aceitassem o TEFConnect não como uma infraestrutura complementar, mas sim como um braço digital de formação profissional capaz de chegar aos jovens de forma mais rápida, mais económica e com resultados mensuráveis.
A Fundação Tony Elumelu põe efetivamente em prática a tese da Harvard Business Review de que o capital humano deve ser tratado como um ativo estratégico.
Através dos seus programas escaláveis de formação digital e mentoria, a Fundação Tony Elumelu apoia empreendedores em contextos difíceis, chegando a grupos historicamente desfavorecidos, como as mulheres, que representam 46% dos beneficiários da Fundação Tony Elumelu.
O que está em jogo
Até 2035, África terá a maior população em idade ativa do mundo. O facto de isto se tornar um dividendo demográfico ou um desastre demográfico dependerá menos do número de escolas construídas e mais da eficácia com que os jovens africanos conseguirem transformar as suas competências em meios de subsistência.
O modelo da Fundação Tony Elumelu demonstra claramente que investir no empreendedorismo não se resume apenas ao lançamento de startups; trata-se de ampliar os sistemas de competências e de incorporar resiliência em mercados de trabalho na sua totalidade. Se os governos e as instituições globais colaborarem e ampliarem a aplicação destas lições, África poderá transformar a sua pressão demográfica num poderoso motor de prosperidade e oportunidades.