Empregos verdes, lucros verdes Como os jovens africanos estão a transformar resíduos em riqueza

Empregos verdes, lucros verdes: como os jovens africanos estão a transformar resíduos em riqueza
Os empreendedores africanos estão a transformar um dos maiores desafios do mundo na sua maior oportunidade.
Em todo o continente, uma nova geração está a demonstrar que as soluções climáticas não são meros atos de caridade ou sacrifício; são empreendimentos rentáveis que geram emprego, criam oportunidades comerciais e proporcionam prosperidade a par da sustentabilidade.
No centro desta mudança está a BeGreen Africa, uma parceria entre a Fundação Tony Elumelu (TEF), a Fundação IKEA e o programa Generation Unlimited (GenU) da UNICEF. Concebida para dotar os jovens africanos das competências, do capital e do acesso ao mercado necessários para criar empresas sustentáveis, esta iniciativa transforma a ação climática numa estratégia de crescimento económico.
Do Risco à Recompensa: Repensar a Ação Climática
África contribui com menos de 4% das emissões globais, mas é ela que sofre o impacto mais severo dos choques climáticos: inundações, secas, desertificação e degradação dos solos. Durante anos, a narrativa global apresentou a ação climática como um sacrifício, um fardo que os países em desenvolvimento têm de suportar para proteger o planeta.
Mas os jovens empreendedores africanos vêem as coisas de forma diferente. Para eles, a adaptação às alterações climáticas não é um custo; é um mercado. É a oportunidade de repensar os resíduos como matéria-prima, a energia renovável como indústria e a sustentabilidade como uma vantagem competitiva na economia global.
As iniciativas de economia circular transformam os resíduos em bens comercializáveis,
As empresas emergentes do setor das energias renováveis ampliam o acesso à energia, ao mesmo tempo que reduzem as emissões.
Os inovadores na área dos resíduos agrícolas transformam os resíduos das culturas em biocombustíveis e fertilizantes orgânicos.
BeGreen Africa: Um modelo de empreendedorismo verde
Lançado em 2022, BeGreen África foi concebido para dar resposta ao que as Nações Unidas (ONU) e outros organismos internacionais designam por
“A tripla crise planetária: alterações climáticas, perda de biodiversidade e poluição. Com o empreendedorismo como antídoto.”
O programa prevê:
- Formação especializada em empreendedorismo sustentável, desde a gestão de resíduos até às energias renováveis.
- Capital inicial, que permite aos jovens empreendedores passar da fase de ideias para a de operações viáveis.
- Orientação e redes de contactos, que os ligam a investidores, mercados e colegas de outras países.
Disponibilizado através de TEFConnect, a plataforma digital exclusiva da TEF que liga mais de 2,5 milhões de empreendedores africanos, a BeGreen combina a aprendizagem online com programas-piloto práticos. Coloca a juventude africana na vanguarda da transformação verde, dotando-a não apenas das competências necessárias para sobreviver à crise climática, mas também para criar indústrias a partir dela.
Transformar resíduos em riqueza: testemunhos no terreno
Os primeiros resultados são promissores. No Quénia, os empreendedores apoiados pela BeGreen estão a converter resíduos orgânicos em biofertilizantes a preços acessíveis, aumentando simultaneamente o rendimento das culturas e reduzindo as emissões nocivas de metano.
“Antes do BeGreen, via os resíduos orgânicos como um desafio para a minha comunidade. Hoje, vejo-os como um recurso. Com a formação e o capital inicial que recebi, estou a utilizar a tecnologia da mosca-soldado-preta para transformar resíduos em excrementos ricos em nutrientes e em plântulas de alta qualidade. Isto não só está a reduzir a poluição, como também a melhorar a saúde do solo e a apoiar os agricultores do condado de Machakos. A BeGreen mostrou-me que os resíduos não são o fim de um ciclo, mas sim o início de uma oportunidade.”
- Benard Mbula Musyoki, beneficiário do BeGreen Africa
Por toda a África, inovadores estão a transformar resíduos plásticos em materiais de construção, dando resposta tanto às necessidades de habitação urbana como ao problema da poluição. Trata-se de empresas formais com percursos de mercado bem definidos: satisfazer a procura crescente, criar postos de trabalho e exportar soluções sustentáveis.
O empreendedorismo verde como vantagem competitiva de África
África tem uma vantagem única: ao contrário de outras regiões, não está presa a infraestruturas obsoletas e com elevadas emissões de carbono. Pode avançar diretamente para as tecnologias limpas e as economias circulares.
- Vantagem de exportação: os produtos ecológicos produzidos localmente, desde plásticos reciclados até biocombustíveis, podem satisfazer a crescente procura global por cadeias de abastecimento sustentáveis.
- Criação de emprego: os empreendimentos ecológicos são, por natureza, intensivos em mão-de-obra, absorvendo a força de trabalho jovem do continente, que está em rápido crescimento.
- Resiliência comunitária: o acesso local a energias renováveis, a ambientes limpos e a recursos sustentáveis fortalece as economias a partir da base.
Neste contexto, a ação climática não é filantropia. É a vantagem competitiva de África.
Um Plano Global
A BeGreen Africa demonstra o que acontece quando a filantropia, o capital privado e as organizações de desenvolvimento se unem em torno do empreendedorismo. O seu modelo, que inclui formação, capital, orientação e redes para a inovação verde, pode ser replicado noutros mercados emergentes.
Para os governos e os parceiros de desenvolvimento em todo o Sul da Ásia ou na América Latina, a lição é clara: não esperem que a ajuda externa ou os créditos de carbono cheguem aos mais necessitados. Invistam diretamente em empreendedores que já estão a criar soluções que combinam o clima e o comércio.
O verde é sinónimo de crescimento
Os jovens empreendedores africanos estão a traçar um novo caminho. Estão a demonstrar que os empregos verdes não são um elemento secundário da política climática; são, pelo contrário, o principal objetivo. Ao transformar resíduos em riqueza e a escassez em oportunidade, estão a lançar as bases tanto para a prosperidade como para a sustentabilidade.
A BeGreen Africa é a prova de que, quando investimos na juventude e na inovação, o resultado não se resume apenas a comunidades mais limpas ou à redução das emissões. Trata-se de empresas prósperas, novas indústrias e crescimento inclusivo.
O mundo deve tomar nota: África não está à espera da sorte nem de esmolas. Está a construir economias verdes que geram lucros, empregos e resiliência.